Opinião do sócio

09-nov-2008

Um ancião pateta

Jorge Briseno (*) 

Não sei se o mesmo ocorre com você, terníssimo leitor, porém eu fico injuriado, irritado, apoquentado, quando dou de cara com um velho estúpido, que foi incapaz de depreender da vida e das suas experiências, lições e ensinamentos.

Ora, ora - e você há de concordar, embora seja cruel afirmarmos -, uma das poucas coisas que a velhice nos oferece, além dos netos, é a sabedoria que adquirimos com o embranquecimento dos cabelos, isso quando os mantemos.

Veja, por exemplo, dulcíssimo leitor, o caso do capitalismo. Segundo os historiadores, esse sistema econômico possui mais de 1.000 anos. Isso mesmo o que você ouviu: mais de 1.000 anos. No entanto, o capitalismo me parece um ancião que não reteve nada das suas observações, das práticas adquiridas e acumuladas até a chegada da sua ancianidade. Continua a cometer os mesmos disparates, as mesmas parvoíces, desde que nasceu. Os anos, infelizmente, em nada lhe foram úteis. Continua, apesar do tempo, abobalhado, amalucado, pretensioso e idiota.

Não cometerei a asneira de afirmar que o vampirismo - desculpe, eu dedilhei as teclas erradas -, que o capitalismo está acabado ou com os seus dias contados. No entanto, acho que ele está... Humm!... Deixe-me encontrar a palavra mais adequada... Ah, já sei!... Pervertido. Isso mesmo, pervertido. Já o mesmo, caro leitor, não poderei afirmar em relação às loas, aos elogios às virtudes do livre mercado. Esse discurso está morto e enterrado e de ponta-cabeça. Quer uma prova? Então vamos lá, ei-la: Foi exatamente a aplicação, por parte das autoridades do Tesouro Americano, do princípio do livre mercado, de não intervenção estatal, com a recusa em estatizar o poderoso banco de investimentos - Lehman Brothers, à beira da falência, - que agravou a maior débâcle desde 1929, destroçando as economias de milhões de americanos. Resumo da ópera: Quando tiveram a oportunidade de colocar em prática os dogmas do sacrossanto livre mercado, deram com os burros na água.

 O bom dessa crise é que ela revelou ao mundo que os “eficientes” bancos privados americanos são geridos da forma mais incompetente e temerária possível e não passam de valhacoutos infestados de escroques e facínoras.  De modo que lanço um aviso aos navegantes: não se aproximem desse escrevinhador os pregoeiros do mercado sem regulamentação. Tenho cá um chicote com esferas de aço nas pontas para açoitar as doidivanas que se atrevam a vir com essa bazófia.

Maceió, 09 de novembro de 2008.

(*) Eng. Jorge Briseno - Diretor da Casal e Sócio da ABES